sexta-feira, março 17, 2006

Ser pequeno...


(fotógrafo desconhecido)

Sou tão pequenina... Tão imperfeita...

Sou apenas uma pequena peça que,

por vezes, se esquece da sua realidade

de peça e quer ser mais!

Sou pequena num MUNDO tão grande...

quarta-feira, março 08, 2006

Uma vez por ano, volta-se à carga...

"E DAQUI A DEZ ANOS, QUAL SERÁ O PAPEL DAS MULHERES NA SOCIEDADE?"
(cabeçalho de uma notícia do Público)
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E que tal: o mesmo que o dos homens!!
Nem mais nem menos... Nem piores nem melhores...

segunda-feira, março 06, 2006

Pão velho...

Num fim de uma tarde de sábado...
- Senhora, tem pão velho?
- Olá, onde moras?
- Moro longe, a minha família é pobre e tenho que pedir coisas para comer.
- E não andas na escola?
- Não. A minha mãe não pode comprar o material.
- E o teu pai?
- Fugiu à muitos anos...
A conversa continuou até que, ao fim de alguns minutos, a senhora perguntou-lhe:
- Vou buscar o pão, pode ser pão novo? É que não tenho pão velho.
- Não é preciso, a Senhora já conversou comigo!

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Sempre actual...

«A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio.»

(Martin Luther King Jr.)

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Um diálogo, quase retórico!...

Numa conversa, no meio de um daqueles inquéritos de rua dos quais me tento sempre esquivar, mas que hoje não consegui...
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(Sobre um seguro de saúde, depois de ter respondido que não estava interessada porque deveria ir para outro país dentro em breve.)
Ele: Hum, compreendo, vai trabalhar?
Eu: Mais ou menos... Se for, vou como voluntária.
Ele: Mas isso não é remunerado, pois não?!
Eu: Não.
Ele: Pois, acha que lhe trará benefícios depois, então. Quer dizer... Pode ser bom... - ficou encabulado, sem saber como continuar.
Eu: Sim, claro, em termos pessoais será muito importante.
Ele: Pois, sim... Mas vai deixar o trabalho?!...
Eu: Sim. Se entretanto voltar logo se vê.
Ele: Pois, tem de deixar o trabalho...
Eu: Sim, depois procuro outro, se o quizer.
Ele: E pensa em ficar lá, mas... - silêncio - Pois, não sei, ir assim... Porquê?
Eu: Pois... Porque sinto que devo ir... - e como ainda mostrava um olhar de incompreensão, continuei a tentar explicar - É algo que quero há muito tempo...
Ele: Sim, mas... - não sabia o que dizer, e claramente não me percebia.
Eu: Não dá para explicar, é algo que eu sinto... Faz parte de mim...
Ele: Pois... - silêncio - E como viverá lá?
Eu: A organização com quem vou paga-me as viagens, a alimentação e fico numa casa da comunidade.
Ele: Ah, ok! Mas se quizer comprar uma camisola não tem dinhero, não é?
Eu: Pois... - e agora como explicar isto?! - Vamos para tentar viver o mais próximo possível da realidade deles, ou melhor, vamos viver com mínimo que para nós é possível para assim nos tentarmos aproximarmos da vida que eles têm.
Ele: Pois... E como se chama a instituição?
(...)
Entretanto a conversa terminou, sem quase termos falado do seguro de saúde...
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Conversa comum... Dúvidas comuns... Olhar perplexo também muito comum...
O que dizer?!
Pode parece estranho para quem olha de fora... Mas há coisas que parecem não fazer sentido e que têm muito sentido! Para mim, fazer voluntariado é uma delas... E por isso coloco outro tipo de questão: "Como é que as pessoas conseguem viver toda a sua vida sem dedicarem parte dela aos outros?"...
Mas isso é a minha visão... de fora do mundo... ;)

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Doce Nostalgia...

Só hoje senti
Que o rumo a seguir
Levava pra longe
Senti que este chão
Já não tinha espaço
Pra tudo o que foge
Não sei o motivo pra ir
Só sei que não posso ficar
Não sei o que vem a seguir
Mas quero procurar
.
E hoje deixei
De tentar erguer
Os planos de sempre
Aqueles que são
Pra outro amanhã
Que há-de ser diferente
Não quero levar o que dei
Talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar
Um pouco de céu
Um pouco de céu
.
Só hoje esperei
Já sem desespero
Que a noite caísse
Nenhuma palavra
Foi hoje diferente
Do que já se disse
E há qualquer coisa a nascer
Bem dentro no fundo de mim
E há uma força a vencer
Qualquer outro fim
.
Não quero levar o que dei
Talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar
Um pouco de céu
Um pouco de céu
.
("Um pouco de Céu" - Mafalda Veiga)

Seremos burros... ;)

«Perguntaram um dia à Madre Teresa de Calcutá o que sentia quando entrava numa sala cheia de gente entusiasmada, de pé, a aplaudi-la. A pergunta era maliciosa. Ficava na mesma? Isso significaria que era insensível. Ficava lisongeada? Bem, então talvez não fosse assim tão santa como parecia...
Ela nem hesitou na resposta: Ficava contentíssima! Quando tal acontecia, ao ouvir os aplausos, enquanto andava, pensava em Jesus entrando de burro em Jerusalém entre hossanas de uma multidão enturiasmada e ficava contentíssima. Ela, claro, era o burro que transportava Jesus! Um burro feliz.»
(Nuno Tavar de Lemos, "O Príncipe e a Lavadeira")
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Levar Jesus aos outros...
Carregá-Lo com simplicidade nos nossos actos e nas nossas palavras...
Vivê-Lo diariamente, sem esperar aplausos e sem ter medo dos apupos!...

quarta-feira, fevereiro 08, 2006


(...) não se conformem, transformem (...)
(S. Paulo)

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

O sentido...

Qual o sentido daquilo que parece sem sentido?
Porventura estarei eu cega ou estarão certas coisas desprovidas de sentido?
Sim, talvez esteja cega...
Sim, talvez esteja apenas ansiosa...
Sim, é provável que tenham sentido, mesmo que não o encontre neste momento!
Mas custa-me muito fazer coisas "sem sentido"... principalmente quando nos parecem levar para longe daquilo que faz sentido!

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Amar o mundo como ele é...

Um filme...

"É incrível como seja lá onde for que se descubram matérias-primas, os habitantes locais morram na miséria, os seus filhos se tornem soldados e as suas filhas prostitutas."

(Hubert Sauper)
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Quando a realidade é chocante o que devemos fazer?
Podemos ignorá-la, escondendo-a atrás das maravilhas que nos rodeiam... Ou podemos encará-la, aceitá-la e amá-la!...

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Lembro-me de uma ilha perdida no equador.
De um povo acolheder, alegre e ávido de conhecimento...
Ouço ainda as vozes estridentes, o cheiro da terra e do mar, o sol de inverno quente como o nosso sol de verão, os olhos brilhantes e as mãos esticadas que procuravam tocar-nos!
Calor, amor, alegria, entrega, vida, ...
Lembro-me também do último dia, poucas horas antes da partida para Lisboa. As irmãs Fernandas levaram-nos a conhecer o resort do grupo Pestana, o maior empreendimento turístico de São Tomé. Entrámos, cumprimentámos os empregados, comprámos uns postais e fomos até ao jardim... A lua cheia, as palmeiras e a vegetação harmoniosamente colocada inspiravam belas fotografias. Ía caminhando, fotografando e ouvido os comentários de quem nos guiava. Mas a realidade que via era muito diferente daquela que tinha conhecido nas três semanas anteriores... Pela primeira vez estava a ver São Tomé como teria sido retratado por uma revista turística. Imaginei os cabeçalhos: "Pequeno paraíso perdido no meio do Atlântico sobre a linha do equador"!
Sim é um paraíso, mas não é paradisíaco... As praias não têm longos areais cheios de coqueiros alinhados, o mar não é claro nem transparente e não se veêm os peixinhos de muitas cores a nadar perto de nós! Algumas praias têm pedras em vez de areia, outras estão cobertas por areia preta... Os coqueiros existem, mas são desordenados, com cocos caídos sobre a areia e ramos partidos... Não se vendem cocos com palhinhas de várias cores, e quem quer comer do fruto têm de o abrir com pedras!

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Antes de partir assustava-me a ideia de não saber lidar com a pobreza e de me sentir impotente face às dificuldades... Mas ao chegar lá, a pena transformou-se em amor!
Não os quis mudar, quis antes conhecê-los!
Não lhes quis dar, mas apenas ajudar no que me precisavam!
Em São Tomé amei a realidade que encontrei, sem fugir dela e sem a querer mudar à minha imagem.
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Amei São Tomé, e amo, mas sinto-me incapaz de o fazer em relação a outras realidades... Porque sinto tanta dificuldade em amar o mundo todo como ele é?...
Talvez seja por apenas ver um dos lados: a miséria, a dor, a angústia.

Não os conheço como conheço as pessoas de São Tomé, que, para além da evidente pobreza, tinham os olhos cintilantes e os rostos alegres. Queriam mais, sonhavam com a Europa e com a possibilidade de ter coisas, mas não faziam depender disso a sua felicidade!
Talvez esse seja o segredo... Talvez me falte conseguir perceber a riqueza por trás da pobreza nos locais que não conheço!...
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Desde 3ªfeira que me tenho debatido com esta questão, "Amar o mundo como ele é". Passei por momentos de dúvida quanto ao valor da minha ajuda. Deixei-me levar pelo desespero da impotência. E senti raiva de todos aqueles que, por interesse, contribuem para o aumento da pobreza.
Mas encontrei também pessoas especiais que sabem o valor de um gesto e que acreditam que um sorriso pode fazer a diferença!
Com a ajuda deles hoje dei mais um passo na direcção do amor incondicional...
Obrigada a todos vocês (que sabem quem são) com quem desabafei nestes últimos dois dias.
Obrigada pelo exemplo de vida...
Que bom está a ser esta caminhada / discernimento convosco! ;)

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Uma música especial...

Quero partilhar convosco uma música que se tornou muito especial em São Tomé e Principe.
Fazer missão faz-nos crescer, mostrando-nos caminhos de transformação. Encontramos as nossas qualidades, mas também aquilo que espera por ser melhorado...
Rezei esta música várias vezes desde então...
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Perdoa, Senhor, o nosso dia
A ausência de gestos corajosos
A fraqueza dos actos consentidos
A vida dos momentos mal amados
Perdoa o espaço que Te não demos
Perdoa, porque não nos libertamos
Perdoa as correntes que pusemos
Em Ti, Senhor, porque não ousamos
Contudo, faz-nos sentir
Perdoar é esquecer a antiga guerra
E, partindo, recomeçar de novo
Como o sol, que sempre beija a terra.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Cartas de São Tomé...

As cartas de São Tomé são simples...
Simples na escrita,
Simples na expressão de sentimentos,
E simples são aqueles que as escrevem!
Trazem os perfumes, as cores, os sons e os sabores de um país distante.
Trazem a recordação de belos momentos...
Trazem a alegria do "reencontro"...
E trazem a saudade...
Fecho os olhos e encontro tantos rostos...
Rostos que amo e que visito em sonhos...
Sonhos acordados que mantêm as fotografias gravadas!
A distância impede o toque, mas não impede o amor...
Que bom é receber cartas de São Tomé...
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Um beijinho a todos aqueles que mantêm acessa a chama do amor através de cartas...

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Como um raio de sol...

Como um raio de sol, que aquece e ilumina.
Como o mar salgado, que constantemente desafia.
Como o sorriso de uma criança, que enternece e contagia.
Como o abraço de um amigo, que protege e abriga.
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Num raio de sol...
No mar salgado...
No sorriso de uma criança...
No abraço de um amigo...
És Tu quem eu vejo, és Tu quem se mostra!
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És quem me aquece e ilumina.
És quem constantemente me desafia.
És quem me enternece e contagia.
És quem me protege e abriga.
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Como um raio de sol...
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Estás na palavra, no gesto e no olhar de um estranho!
Estás no amor, no carinho e no beijo de um amante!
Estás aqui, estivesTe ontem e estarás amanhã...
Sempre presente, sempre próximo, sempre à espera...
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Como um raio de sol...
Nunca Te cansas de brilhar!
Nunca Te cansas de Te mostrar!
Nunca Te cansas de me chamar!

segunda-feira, novembro 28, 2005

«Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se...»
Gabriel Garcia Marquez

quarta-feira, novembro 02, 2005

Onde encontrar Deus?...

E se Deus for o teu amigo da escola
Ou o homem no táxi da cidade,
E se for o carteiro, um padre, um mensageiro
Alguém que te falou a verdade.
E se Deus for o teu vizinho de cima
Ou o colega do banco de trás
Se for um pedinte, um cego, um viajante
Alguém que te falou de paz.
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É Deus quem tu procuras
É Deus quem tu esperas
Quem tu sentes aqui
É Deus quem tu precisas
E que precisa de Ti...
É Deus!
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E se Deus for alguém a quem fechaste a porta
Ou que te liga e não antendes
E se for um professor, um carpinteiro, um desconhecido
Alguém que te pergunta o que sentes.
E se Deus for o teu vizinho de cima
Ou o colega do banco de trás
Se for um pedinte, um cego, um viajante
Alguém que te falou de paz,
Alguém que te falou de paz.
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--...Refrão...--
(D.E.U.S. - Kyrios)
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Tantas são as bocas que nos trazem uma palavra ou um pedido de Deus...
Ouvimos umas, fujimos de outras...
Por vezes, é mais fácil rir ou questionar, em vez de procurar a mensagem que nos trazem, porque não a queremos ouvir ou porque não acreditamos que tal pessoa possa ser um mensageiro de Deus!
Se ao menos confiássemos e amássemos como Jesus nos ensinou...
Dizer sim a Deus, não é simplesmente ir à missa, comungar e fazer boas acções. É viver em comunhão com Ele a cada segundo que passa...
Difícil, exigente, impossível?!... Talvez, mas porque não tentar?

quarta-feira, outubro 19, 2005

segunda-feira, outubro 17, 2005

Caminhar... questionando!

Ontem, numa oração...
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«Vivemos num período em que muitos se interrogam: o que é a fé? A fé é uma confiança muito simples em Deus, um indispensável impulso de confiança, permanentemente retomado ao longo da vida. Em cada um de nós, pode haver dúvidas. Elas não têm nada de inquietante. Queremos sobretudo ouvir Cristo murmurar nos nossos corações:"Tens hesitações? Não te inquietes, pois o Espírito Santo permanece em ti." Há quem tenha feito esta descoberta surpreendente: o amor de Deus pode também desabrochar num coração marcado pela dúvida.»
(Carta de Taizé 2005)
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A todos os que O procuram questionando e duvidando...
A todos os que questionam hoje, aquilo em que ontem acreditavam...
A todos os que por vezes se perdem em labirintos de dúvidas...
Que todos consigam reencontrar a paz e a confiança no fim de cada etapa!

terça-feira, outubro 11, 2005

... mas nesta nova aventura, neste novo mundo cheio de cor, encontro por vezes pequenos retratos do passado que me levam a caminhos que julgava fechados, tal como becos sem saída que não nos levam a lado nenhum! Mas sê-lo-iam realmente?!... Serão ainda caminhos impossíveis?!...